A Expansão do Bairro do Marco em Belém do Pará

A expansão do Bairro do Marco em Belém Pa

No início do século XX, Belém vivia momento de franca expansão. O Marco da Légua, que marca a ampliação do território, fica na avenida Almirante Barroso, antiga Tito Franco.


O bairro do Marco representa um momento importante na história de Belém. E esse momento foi chegar à primeira légua patrimonial da cidade, em franca expansão entre o final do século XIX e início do século XX. E próximo de onde essa métrica significativa estava, foi criado um pequeno monumento: o Marco da Légua. Fica bem em frente ao Centro de Ciências Biológicas e de Saúde da Universidade do Estado do Pará (CCBS / Uepa), na avenida Almirante Barroso. Local que no passado foi um manicômio.


Belém, naquele momento, vivia o auge da economia da borracha. O desenvolvimento da cidade estava em ritmo acelerado. Ainda mais com a estrada de ferro Belém - Bragança. O bairro do Marco se tornou a nova entrada da capital. Era a medida territorial: o município começava na Cidade Velha e terminava no Marco. O cruzamento da Almirante Barroso com a avenida Doutor Freitas é a representação desse limite histórico, como explica o historiador Diego Pereira, coordenador do curso de História da Unama.


Diego ressalta que apesar do símbolo de progresso e expansão, o Marco ainda era considerada uma área afastada. Por isso, teve várias construções de rocinhas, as casas elitizadas da população rica de Belém. Por isso, o perfil socioeconômico do bairro sempre manteve uma característica de classe média e classe média alta, com alguns bolsões de desigualdade social nas baixadas, nas áreas onde ocorrem os históricos alagamentos. O bairro, hoje altamente urbanizado e com vias modernas, já foi um vasto lamaçal.


Também era uma área de exclusão. Por isso, segundo moradores antigos, havia a existência de lixões em alguns pontos. E não tão diferente do que ocorreu com o Guamá, no afastamento social de pessoas com hanseníase, reservaram ao Marco o depósito de pessoas com doenças mentais.

Onde hoje é o CCBS/Uepa, em 1892, foi o Asilo dos Alienados. Era uma construção rica e pomposa, mas destinada apenas a isolar um problema de saúde pública, que a ciência ainda não tinha avanço suficiente para atender. Em 1937, passou por uma ressignificação e se tornou o Hospital Psiquiátrico Juliano Moreira, mas pouco havia mudado em relação ao tratamento quase medieval disposto aos pacientes. "Esse processo de higienização social da cidade era muito característico da época", pontua o historiador.


Em 1961, a primeira grande crise do hospital ocorreu: um evento chamado "Revolta dos Loucos", uma rebelião liderada por militares internados com doenças mentais. Foi contida com violenta repressão e mudança de técnicas de atendimento. Outra crise se deu em 1982, quando o prédio pegou fogo. A estrutura ficou abalada. Em 1984, o prédio histórico foi demolido de vez. Tudo ocorria ali, em frente ao pequeno monumento do Marco da Légua.

 

BOSQUE, PALACETE E GRUPO LIBERAL SÃO CARACTERÍSTICAS DO BAIRRO


Outro ponto que caracteriza o bairro é o Bosque Rodrigues Alves. Mais um projeto urbanístico e ambiental do intendente Antônio Lemos e a ideia fixa de transformar Belém numa "Paris n'América". Foi idealizado em 1882, pensado em recriar o bosque francês Bois de Bologne. Por isso lá há traços arquitetônicos de estética francesa. Inicialmente, se chamava Bosque Municipal do Marco da Légua. A inauguração oficial foi em 1905 e o nome atual é uma homenagem ao presidente Francisco de Paula Rodrigues Alves (1902 a 1906). A história pode ser vista nas fotos e documentos expostos no Chalé de Ferro.


"Há resquícios bucólicos da urbanização do Marco daquela época. O bosque e a avenida Romulo Maiorana, antiga 25 de Setembro, são remanescências disso", destaca Diego. O nome da via é uma homenagem ao fundador do Grupo Liberal, Romulo Maiorana. É também onde fica a sede dos jornais O Liberal, Amazônia, site OLiberal.com e Rádio Liberal.


Outra memória viva da história do bairro é a já descaracterizada Chácara Bem Bom (chamada erroneamente de Palacete Faciola, apenas porque pertenceu a Edgar Faciola), hoje readequado para servir como uma unidade de saúde bucal. O palacete Faciola real fica na avenida Nazaré, esquina com Doutor Moraes. E está abandonado.


Alguns registros, diz o historiador, mostram um engenho na área do Utinga, que ainda faz parte do processo de organização do bairro, como descreve Meira Filho, em livro publicado em 1976. Por isso, acredita-se que a história do Curió-Utinga esteja, de alguma forma, ligada também ao bairro do Marco.


"O desenho atual do bairro do Marco é de um bairro central, cheio de vias de entrada e saída e ligações para outras áreas da cidade, assim como vários meios de transporte. É nele que fica a principal via troncal de Belém, a Almirante Barroso, que um dia foi Tito Franco", conclui. E com o prolongamento, a avenida João Paulo II — uma homenagem à visita do Papa João Paulo II a Belém, em 8 de julho de 1980 — se tornou uma nova opção de entrada e saída da cidade. Desde o início, as vias do bairro sempre foram largas e pensadas para um futuro.


Fontes: Marco: o bairro que marca a expansão de Belém | Belém | O Liberal

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